Na manhã da última sexta-feira, dia 30 de julho, a Aprofurg - Seção Sindical do ANDES-SN promoveu uma reunião aberta para a comunidade acadêmica em formato online. Com início às 10h, o tema do encontro foi "Carga horária docente e número de alunos". O assunto tem sido pauta recorrente entre os(as) docentes, e incentivou o sindicato a fazer este primeiro encontro oficial sobre o assunto.

A diretoria da Aprofurg começou a conversa com os motivos que levaram a Aprofurg a marcar o encontro. “A problemática tem sido levantada dentro do sindicato, através das nossas reuniões, e por isso resolvemos fazer este encontro inicial para ouvir vocês, e ver o que os professores e as professoras estão enfrentando”, destacou a segunda-secretária da Aprofurg, Tamires Podewils.

Já para a primeira tesoureira, Magda Abreu, a demanda surge também de outras conversas. “O assunto sobre a carga horária e o número de alunos também sido discutido dentro das próprias reuniões do Pangea - um espaço/grupo de rearticulação das licenciaturas e assuntos sobre a formação dos cursos - e por isso achamos, enquanto representação da categoria docente, que deveríamos levar a demanda adiante", explicou Magda

Depois da apresentação da diretoria da Aprofurg e dos inúmeros motivos que levaram a realização do encontro, vários professores e professoras, das mais diversas áreas relataram os seus anseios e as suas angústias sobre o tema. A reunião teve representatividade de diversos institutos da FURG, como Instituto de Ciências Humanas e da Informação (ICHI), Instituto de Educação (IE), Instituto de Ciências Biológicas (ICB), Escola de Enfermagem (EENF), Escola de Química e Alimentos (EQA), além de representantes do campus de Santa Vitória do Palmar e de São Lourenço do Sul.

Além da pluralidade de representação de cursos, institutos e campi, outro fator chamou atenção: a troca de experiências entre os professores e as professoras que ingressaram a mais tempo na Universidade e os(as) docentes que entraram recentemente na FURG, inclusive durante a pandemia. Várias vozes ecoaram durante o encontro, mas o tom era sempre parecido, como por exemplo a insegurança sobre a carga horária e a falta de uma regulamentação que norteie as atividades dos(das) docentes.

O médico-veterinário e docente do campus de São Lourenço do Sul, Eduardo Dias explicou porque a realidade na cidade lourenciana é diferente. “Aqui no campus nós temos cursos pioneiros em uma cidade pequena, como tecnologia em gestão de cooperativas, licenciatura em educação do campo e agroecologia, então temos uma outra perspectiva, pois estamos em busca constante de alunos. Por outro lado, a Furg tenta otimizar os docentes, e isso acaba sobrecarregando os professores e as professoras que atendem vários cursos”, explicou.

A realidade em Santa Vitória do Palmar também não é muito diferente, como relatou a docente Darciele Menezes. “O problema é complexo principalmente nos campi fora da sede, pois temos que dar conta de atender todos os alunos, nos cursos de eventos, turismo e hotelaria. Além disso, sofremos com a evasão dos(das) discentes e uma regulamentação da carga horária é urgente”, disse Darciele.

Depois de amplo debate, foi deliberada a criação de um grupo para tratar especificamente sobre as políticas de distribuição de carga horária, enturmação e participação em outras comissões e comitês sobre o tema. A ideia é a realização de um encontro reservado com os(as) integrantes e, posteriormente, uma nova reunião ampliada para todos e todas.