Teve início ontem, dia 6 de fevereiro, o 41º Congresso do ANDES-SN, em Rio Branco, capital do estado do Acre. O evento, que é a maior instância deliberativa do Sindicato Nacional, tem como tema central “Em defesa da educação pública e pela garantia de todos os direitos da classe trabalhadora”. Até a próxima sexta-feira, dia 10, os mais de 600 docentes participantes vão debater e deliberar as pautas e ações que vão servir para as lutas da categoria docente para o próximo período. O Congresso ocorre na Universidade Federal do Acre (Ufac), e conta com a organização da Associação dos Docentes da Universidade Federal do Acre (Adufac - Seção Sindical).
Um momento cultural abriu os trabalhos do primeiro dia do Congresso. O som do grupo “Cantos e Encantos Yawanawa”, integrado por mulheres do povo Yawanawa, da Terra Indígena do Rio Gregório, emocionou todos(as) os(as) presentes. Logo após, dando seguimento a programação da primeira manhã do 41º Congresso do ANDES-SN, a plenária de abertura contou com a participação da presidenta do Sindicato Nacional, Rivânia Moura, da secretária-geral do ANDES-SN, Maria Regina Moreira, do 1º tesoureiro, Amauri Fragoso de Medeiros, do 1ª vice-presidente da regional norte I, José Sávio Maia e da reitora da UFAC, Margarida de Aquino Cunha. Além disso, a mesa recebeu diversos representantes de entidades, como o Movimento pela Universidade Popular, líder seringueira, Movimento Indígena do Acre, Pastoral da Juventude, CSP-Conlutas e Fórum Sindical e Popular da Juventude.
A presidenta do Sindicato Nacional, Rivânia Moura, citou uma das frases do líder dos seringueiros, Chico Mendes. “‘No começo, pensei que estivesse lutando para salvar seringueiras, depois pensei que estava lutando para salvar a Floresta Amazônica. Agora, percebo que estou lutando pela humanidade’. Estamos nas terras de Chico Mendes, na Amazônia acreana, nesse lugar de enormes contradições, conflitos, desigualdades, mas também marcado por grandes lutas e resistência. Temos que enfatizar a importância desse congresso em um contexto de aprofundamento dos ataques a florestas e, em especial aos povos originários. É impossível começar esse congresso sem lembrar o genocídio do povo Yanomami. Essa investida de destruição dos povos originários, das suas terras e da sua cultura provocou o sumiço de comunidades inteiras. A resistência desses povos é um exemplo de luta”, ressaltou.
Ainda no seu discurso, Rivânia explicou que o tema deste ano do congresso convida a todos e todas ao compromisso em relação à educação pública. “Vivemos um período de extinção, de ataques à vida em todas as suas dimensões, ao meio ambiente, aos povos originários, à previdência, segurança pública, saúde e educação. Nós temos o compromisso nesse congresso de pautarmos essas questões e sairmos daqui fortalecidos para enfrentar os próximos desafios”, disse.
UNIVERSIDADE E SOCIEDADE
Durante a plenária de abertura foi lançada a 71ª edição da revista “Universidade e Sociedade”, que traz nesta edição o assunto central “As contrarreformas no Brasil: a educação pública na resistência aos ataques neoliberais”. Lembrando que a publicação é semestral e tem a organização do ANDES-SN.
ATOS
Também durante o primeiro dia do 41º Congresso, um ato contra o feminicídio e em memória da estudante Janaína Bezerra (UFPI), que foi estuprada e assassinada durante uma festa de calouros no campus, no último dia 27 de janeiro, foi realizado na plenária.
Já um segundo momento foi marcado pelo ato dos homens contra o assédio, no qual os professores destacaram que o protagonismo da luta contra o machismo é das mulheres, mas que os homens também têm a importante tarefa de lutar e reforçar esta pauta.
PLENÁRIA DO TEMA 1
Para fechar a programação do primeiro dia de evento, a Plenária do Tema I “Conjuntura e Movimento Docente” ocorreu no auditório da UFAC. Além do diretor do ANDES-SN, Gustavo Seferian, compuseram a mesa as diretoras Sueli Goulart, Andréa Matos e o diretor Edmilson Silva. No total, 12 Textos de Resolução (TRs) foram apresentados pela plenária, e o mote central dos temas foi a necessidade de derrotar a extrema direita, que mesmo ausente da presidência, ainda ecoa tentando emplacar os golpes contra a classe trabalhadora e a democracia. Mesmo com as divergências em alguns assuntos, todos os textos defenderam a urgência e a necessidade de conservar a autonomia frente aos governos e a luta pelos direitos e pelos serviços públicos.
Após as apresentações, cerca de 30 inscrições foram abertas para os(as) presentes. Entretanto, apenas 18 falas foram realizadas, pois o tempo previsto encerrou e não foi aprovada a prorrogação por mais uma hora pelos delegados e delegadas.
Gustavo Seferian, diretor do ANDES-SN que presidiu a plenária, destacou a qualidade das falas, que as particularidades do Acre, a luta das populações indígenas, em especial a barbárie contra a população yanomami e as questões ambientais, o que Seferian considerou uma particularidade em relação aos debates de conjuntura dos congressos anteriores.
O diretor do Sindicato Nacional destacou ainda as manifestações, públicas, organizadas e espontâneas, envolvendo a questão da luta contra as opressões e o reconhecimento do seu caráter classista, que marcaram essa plenária. “Uma das palavras de ordem da primeira manifestação foi ‘Opressão também explora’ e isso foi uma marca bastante presente nessas ações coletivas, tanto nas organizadas previamente, como aquelas espontâneas diante a falas que geraram algum rechaço por parte do plenário. Foi um debate muito bom, que abre uma ótima jornada de construção de lutas nesta semana”, avaliou.
NÚMEROS E DELEGAÇÃO DA APROFURG
O 41º Congresso do ANDES-SN conta com a participação de 648 participantes, entre eles 447 delegados e delegadas, 150 observadores e observadoras, 34 diretores e diretoras do Sindicato Nacional, além de 17 convidados e convidadas. Mais de 80 seções sindicais estão representadas na capital acreana.
A Aprofurg - Seção Sindical do ANDES-SN trouxe 10 professores e professoras, sendo 8 delegados(as) e 2 observadores(as), eleitos em assembleia geral. São eles(as): Marcia Umpierre, Gustavo Miranda, Angélica Miranda, Magda Vicente, Cristiano Engelke, Felipe Borges e Desirée Fripp, como delegados(as). Já os(as) docentes Rita Rache e César Beras são os(as) observadores(as).