Pela primeira vez, o Brasil é governado por um presidente que tem, como projeto político, a destruição da educação em todos os seus âmbitos. Da contestação dos pilares básicos da ciência ao sufocamento estrutural das universidades, o governo Bolsonaro segue deixando um rastro de destruição por onde passa.
O corte orçamentário injustificável de 30% no orçamento das universidades e institutos federais piorou o que já estava precário. Sem o mínimo de estrutura para continuarem funcionando, as Instituições Federais de Ensino Superior (Ifes) estão cada vez mais perto de fecharem as portas.
Na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), a palavra da vez é racionamento. A instituição anunciou a redução no número de refeições oferecidas nos restaurantes universitários e o congelamento de bolsas por conta do sufocamento orçamentário. A tradicional Semana de Ensino, Pesquisa e Extensão (Sepex) da UFSC também foi cancelada devido aos cortes impostos pelo Governo Federal.
Infelizmente, o cenário tende a piorar ainda mais. Para 2020, a previsão é de que os recursos destinados ao custeio da UFSC, como limpeza, vigilância e energia elétrica, sofram um novo corte de 40%.
O investimento em capital humano também desmoronou. Os sucessivos cortes das bolsas de pesquisa disseminaram um clima de desânimo e desilusão no ambiente acadêmico.
Pós-graduandos estão vendo seus projetos de pesquisa e de vida serem interrompidos, uma descontinuidade com a trajetória de excelência que vinha marcando as Ifes nos últimos anos. Docentes estão sendo perseguidos por produzirem pensamento crítico. O Brasil de 2019 parece estar anacrônico.
Apesar de revoltante, esse desmonte sem precedentes da educação brasileira tem uma razão de existir: o governo Brasileiro quer privatizar a educação superior pública e dissolver os pilares que a sustentam. Trata-se de uma estratégia antiga do neoliberalismo: primeiro precarizar para, depois, privatizar.
O Future-se, programa do Ministério da Educação (MEC) que pretende conceder a administração das Ifes à iniciativa privada, representa fielmente o projeto do governo Bolsonaro para a educação: subordinada aos interesses do mercado, acrítica e elitizada. Nesse projeto, não há espaço para a diversidade de pensamento, para o interesse público, para a democracia.
Cada vez mais reféns dos mega-empresários, as comunidade acadêmicas se submeterão à competitividade para conseguirem captar recursos para pesquisa e ensino. O que está em questão com a aprovação do Future-se é a existência das universidades brasileiras como espaço socialmente referenciado e
público.
Ao diluir o tripé ensino-pesquisa-extensão – o Future-se sequer menciona a extensão –, o Governo Federal tenta isolar as Ifes de seu caráter coletivo, solidário e, novamente, público.
Incerteza é a palavra que define a realidade das comunidades acadêmicas Brasil afora no governo Bolsonaro.
Mas há um consenso: a mobilização dos brasileiros pela educação precisa ser intensa e urgente.
Junte-se à Andesufsc nessa luta!