Democracia se faz com liberdade e resistência
Antonio Gonçalves*
Desde sempre, nós brasileiros e brasileiras escutamos que 'este país só irá melhorar quando investirmos na Educação'. O que parece uma contradição – o contingenciamento de verbas e a crescente falta de investimento no sistema de ensino - é, claramente, um projeto. O corte dos gastos ao ponto do sufocamento não pode ser visto com ingenuidade, como uma necessidade de enxugamento de despesas públicas. Antes, é parte de um projeto de desmonte de políticas públicas.
Evidenciado em diversas frentes, este projeto do ´posto ipiranga´ visa, exatamente, desabastecer a visão de um futuro mais justo, solidário e igualitário. Ironicamente, o conjunto de desregulamentações que enfrentamos hoje compromete fortemente o próprio futuro, aí sim atuando indiscriminadamente em todos os estratos sociais e graus de escolaridade, ignorando questões etnicorraciais, de gênero e diversidade sexual.
As queimadas na Amazônia, que comprometem os tempos vindouros do conjunto da humanidade, se aproximam do desmanche da Educação na medida em que simbolizam os estertores de um sistema que agoniza. Como um doente que experimenta uma súbita melhora, vendo o fortalecimento das suas funções vitais para em seguida sofrer o declínio final, a crise do capitalismo é hoje refletida em ataques violentos a ponto de comprometer a própria sobrevivência.
Se o projeto do atual desgoverno é fazer a sociedade perder o controle dos acontecimentos, o que vislumbramos no horizonte é o fim do direito de decidir. Hoje, Dia da Democracia, tememos pela perda dos termos que compõem esta palavra tão mais citada do que utilizada: o poder do povo de escolher seus representantes, liberdade de expressão, liberdade de ensinar e aprender estão sob grave risco.
Seja pela profusão de notícias falsas, pelas ameaças constantes que causam medo e provocam reações desmedidas, seja pelas arbitrariedades, a democracia está em perigo. O mesmo perigo que corre a nossa floresta tropical, a Educação, o nosso futuro. Contra este projeto que parece intempestivo mas é, na verdade, um conjunto de ameaças bem orquestradas, resta-nos bem mais do que esperança. Resta-nos o poder de resistir.
*Presidente do ANDES Sindicato Nacional
25ª edição do Grito dos Excluídos
O Grito dos Excluídos é um conjunto de manifestações que ocorrem durante a Semana da Pátria, no país inteiro, desde 1995, culminando em um grande ato em 7 de setembro, Dia da Independência do Brasil. O objetivo é denunciar a exclusão de determinados grupos da sociedade e propor caminhos para a inclusão.
O lema desse ano será "Esse sistema não vale: lutamos por justiça, direitos e liberdade", em comemoração aos 25 anos do movimento. Em 2019, o ato terá como foco o desgoverno de Jair Bolsonaro, que retira direitos e liberdades conquistadas. A luta não para e seguimos firmes em defesa da educação pública e gratuita, do meio ambiente, da soberania nacional e da democracia.
Locais confirmados:
Brasília – 8h - Rodoviária do Plano Piloto
Porto Seguro – 8h – Concentração Av. Getúlio Vargas Esquina com a 2 de julho
Porto Alegre – 14h30 - Vila Santo Operário, no bairro Mathias Velho
Niterói – 09h – Praça da República
Cariacica (ES) – 8h - Praça de Porto de Santana
Uberlândia (MG) – 08h30 - Praça Sergio Pacheco
Santa Maria (RS) – 14h - Praça Saldanha Marinho
São Paulo – 9h - Vila Mariana – Praça Oswaldo Cruz
Petrópolis (RJ) – 09h - Bosque Do Imperador
Volta Redonda (RJ) – 09h
Pelotas (RS) – 09h - Praça Dom Antônio Zattera
São Vicente (Baixada Santista-SP) – 09h - Jardim Irmã Dolores
Curitiba (PR) – 14h - Vila Corbélia
São João del-Rei (MG) – 09h
Vitória da Conquista (BA) – 08h - Avenida Integração
Fortaleza (CE) – 08h - Praia do Futuro, na Avenida Dioguinho
Rio de Janeiro (RJ) – 09h - Av. Presidente Vargas com rua Uruguaiana
Londrina (PR) – 08h - CEBs Arquidiocese de Londrina
Florianópolis (SC) – 08h - Florianópolis Catedral Metropolitana
Campo Grande (MS) – 08h - Rua Marechal Cândido Mariano entre a 13 de Maio e Rui Barbosa
Recife (PE) – 08h – Praça do Derby
Maceió (AL) – 08h - Praça Sinimbú
Cuiabá (MT) – 15h - Caminhada da Praça Cultural do CPA2 até à Paróquia Divino Espírito Santo
Belo Horizonte (MG) – 09h - Viaduto Santa Teresa
Macapá (AP) – 15h30 – Paróquia Jesus de Nazaré
64 CONAD CHEGA AO TERCEIRO DIA COM DEBATES E DELIBERAÇÕES SOBRE O PLANO DE LUTAS

Depois de dar uma pausa na programação oficial do 64º CONAD para participar do Ato Unificado na Esplanada dos Ministérios, durante a manhã do dia 12 de julho, o ANDES-SN seguiu com as discussões nos grupos mistos de trabalho na Universidade de Brasília.
ANDES-SN APROVA MANIFESTO DE ALERTA EM DEFESA DO ENSINO SUPERIOR PÚBLICO E GRATUITO

O 64º CONAD do ANDES-SN, aprovou por unanimidade na tarde de hoje, dia 14 de julho, um manifesto contra o mais recente ataque do governo federal que fere a autonomia financeira das universidades públicas e busca acabar com a gratuidade do ensino.
Os grupos mistos incluíram o assunto nos Textos de Resolução (TRs) e na noite de ontem, dia 13 de julho, foi colocado em votação durante a plenária que discutiu a atualização do plano de lutas do ANDES-SN. Imediatamente após aprovado pelos professores e professoras, uma comissão composta por seis docentes (cinco da base e um da diretoria nacional) foi formada ficou responsável pela produção do texto. Fazem parte as/os docentes Mariana Trotta (UFRJ), pela diretoria do ANDES-SN; Jacob Paiva (ADUA); Luis Antonio Pasquetti (DUnB); Claudio Ribeiro (ADUFRJ); Alyne Souza (Sindifpi) e Eudes Baima (Sinduece).
"O manifesto servirá de alerta para que a base se mantenha mobilizada para o enfrentamento a essas questões. É fundamental que as seções sindicais, a partir da publicização deste documento, se apropriem da discussão e avancem no debate para construir uma pauta de lutas específica para derrotar a tentativa de privatização da universidade", destacou o presidente do ANDES-SN, Antonio Gonçalves.
O PROGRAMA
O programa, chamado “Future-se”, foi anunciado pelo secretário de Educação Superior do Ministério da Educação (MEC), Arnaldo Barbosa de Lima Júnior, em 10 de julho, um dia antes do início do Conad. Com foco no Ensino Superior, ele objetiva privatizar as universidades federais ao promover a autonomia financeira das instituições, ou seja, torná-las empresas. As instituições não serão mais administradas sob o regime jurídico de direito público, deixando de ser autarquias, e fazendo com que seja implementada uma política de cobrança de mensalidade para cursos gratuitos. O MEC irá apresentar o “Future-se” na próxima quinta-feira (18). Para isso, convocou uma reunião com a presença de reitores das universidades federais.